Ele acordou e, ainda deitado, sorriu: pensava nos amigos, que dali em pouco iria rever, como quase todos os dias. Adorava a presença deles, poder conversar, sobre tudo.
Levantou-se e viu aquele quarto vazio, só ele ali. Não se sentiu tão à vontade, mas logo lhe veio outro sorriso confortante, lembrou-se de como aquele espaço ficava cheio e animado quando os seus amigos iam lhe visitar. Foi, então, cumprir os primeiros afazeres do dia. Mas o que faz um estudante adolescente no começo de um domingo?
Estava na hora de ir encontrar os amigos e bater aquele papo gostoso. Nada melhor que uma boa conversa! O tempo, nessas horas, torna-se um inimigo.
Antes de sair, mexia na estante sempre desarrumada quando viu uns papéis soltos, com versos escritos por ele. Veio-lhe um ímpeto de jogar todos no lixo; para nada serviam, senão desarrumar a estante e tomar-lhe o valoroso tempo. Não diziam muita coisa: versos sem sentimento. Foram parar na lixeira do banheiro. Bastava de tentativas de sentir, para isso havia os amigos, as conversas com eles, um abraço, um beijo na namorada e tudo com o que é possível sentir realmente, sem se ter o trabalho de versejar.
Desapontado consigo por ter percebido o quanto havia perdido se dedicando àqueles versos, ficou ali parado, sentado na cadeira. E uma folha foi sendo rascunhada. Versos. Os únicos com algum sentimento, talvez.
De vós, de vós eu não preciso!
Necessito é de voz
Eu não vos sinto
Sinto muito
Necessito é de voz
Eu não vos sinto
Sinto muito
Não me tornastes poeta algum
Só roubastes meu tempo
Pensando em vós
Só roubastes meu tempo
Pensando em vós
Esqueço a vida
Até nunca mais, senhores
Perturbai outra vida
Vontade de sentir
É o que sinto
Perturbai outra vida
Vontade de sentir
É o que sinto
6 comentários:
Homem, agora vai ter só um comentário não. Me lembrou o Mal de Bartebly esse texto. Mas versejar para a namorada é mara! Ele devia ter tentado mais, heuaheuah. Uma boa fonte de inspiração. Eu nao entendi bem o final, ele ficou renegando tudo a respeito de poesia e escreveu outra. Bem paradoxal.
PU$# QUE P#$@% MINHA SOGRA!
QUE TEXTO!!!!!
Essa poesia está um espetáculo! adorei! me lembrou um pouco o estilo do Pessoa... huahauhauhaua
ainda bem que tu é meu amigo!
bjunda
Paulo Henrique, temos mais um integrante do Blogs de Quinta:
Freddy Costa - http://www.opassaroeaflor.blogspot.com/
adcione-o, por favor, à lista.
mermão, mas tu se garante nesse lance de trocadilhos hein! hehe...
tae uma coisa q eu dou valor!
nao sei o q comentei na primeira postagem desse texto, mas o q comento agora eh q compartilho dessa idéia!
Nem sei como não comentei na primeira vez! hehehe
Mas esse texto está maravilhoso, principalmente a poesia! É dessas que dá vontade de decorar!
Nota mental: lembrar de procurar algum livro sobre construção de prefácios.
putz!!! massa de mais Paulo Henrique! Quando for a festa de publicação do teu livro me chama! Só pra eu ter eu me passar dizendo que te conheço! xDD
Me sinto assim às vezes. Como se sentir fosse mais importante que escrever, mas logo em seguida penso que escrever me faz sentir e aflorar ainda mais minhas sensações.
Que pena que não foi no último encontro do grupo...
não sei se vou estar aqui no próximo... então nos vemos na minha próxima viagem pra cá!
Beijos!
Postar um comentário