quinta-feira, 20 de novembro de 2008

INFELIZ ANIVERSÁRIO

A menina estava completando nove anos. A mãe sugeriu que as duas recebessem os convidados para a festa à porta de casa. A cada pessoa que chegava, a menina dava pulos de alegria e fechava a cara: seus amigos vinham com os pais. Aqueles ela abraçava bem forte, mas tentava se esquivar quando se curvavam para lhe beijar nas bochechas. Beijos tão sem sal quanto os comentários que os seguiam: como ela está crscendo! Já é uma mocinha! Que pena.

Houve, então, os parabéns. A aniversariante e os amigos se impanturraram de bolo e refrigerante. E logo trataram de gastar as energias ganhas. Pega-pega, esconde-esconde, gritos, gargalhadas, e dois ou três joelhos ralados mas superados pela alegria de brincar.

Já perto do fim da festa, a menina pediu à mãe a máquina fotográfica.

- Cuidado, filha. Isso foi muito caro!

Certamente, a mãe não sabia que caro era ficar entre aqueles adultos. Para a menina, caros eram os seus amigos.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

PRECIOSAS ESTANTES

Eu quero furar a fila de livros da minha estante, invadir o mundo das prateleiras e sentir o calor daquele imprensado (todos lado a lado). Com a paciência dos imortais, quero ficar ali, até sentir o toque de um dedo que, não por acaso, me escolha e me leve ao universo das mesas, lugar reservado aos bons e capazes, merecedores de atenção.

Quero ter a chance de dizer algo aos olhos. Que esses olhos, depois de me conhecerem, não me esqueçam. As mãos podem até me abandonar sobre a mesa, mas que, a qualquer tempo, voltem a me procurar: eu estarei em qualquer estante. Eu estarei, feliz da morte, nas estantes da memória.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

EVOLUÇÃO

e-commerce, e-business,
e-books, e-mail,
e-volução e
e-u
no meio disso tudo
dessa automação
adaptando-me menos a mim,
um e-man.