quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Amantes

Amantes, amadores
Que se unem em torno do ser amado
Compartilham uma paixão
Uma paixão que conserta lacunas, ocupa linhas em branco.

Amantes do prazer
Dado, não com generosidade, pelo sedultor ser
Do qual se servem
E se sentem insaciavelmente saciados.

Amante, talvez
De tudo, que procuram traduzir o mundo
E o mundo interior
Da mais pobre e rica maneira.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Entre poderes

Minha voz ressoa em todo lugar
Meu nome... Não conhece?!
O mundo é meu altar
Não nasci para fazer prece

Nada me barra, me impede
Eu sou o obstáculo
Qualquer lugar é minha sede
O ar puro no pináculo

.
.
.

Em casa, sozinho, o tormento devora
Não consegue dormir
O castelo em pó, por hora
E o rei continua a ruir

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Infâncias Adultas

Adultos infantes
Se abraçam
Se beijam

Infâncias adultas
Se vivem,
Pelejam

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Conversas, e não com versos

Ele acordou e, ainda deitado, sorriu: pensava nos amigos, que dali em pouco iria rever, como quase todos os dias. Adorava a presença deles, poder conversar, sobre tudo.
Levantou-se e viu aquele quarto vazio, só ele ali. Não se sentiu tão à vontade, mas logo lhe veio outro sorriso confortante, lembrou-se de como aquele espaço ficava cheio e animado quando os seus amigos iam lhe visitar. Foi, então, cumprir os primeiros afazeres do dia. Mas o que faz um estudante adolescente no começo de um domingo?
Estava na hora de ir encontrar os amigos e bater aquele papo gostoso. Nada melhor que uma boa conversa! O tempo, nessas horas, torna-se um inimigo.
Antes de sair, mexia na estante sempre desarrumada quando viu uns papéis soltos, com versos escritos por ele. Veio-lhe um ímpeto de jogar todos no lixo; para nada serviam, senão desarrumar a estante e tomar-lhe o valoroso tempo. Não diziam muita coisa: versos sem sentimento. Foram parar na lixeira do banheiro. Bastava de tentativas de sentir, para isso havia os amigos, as conversas com eles, um abraço, um beijo e tudo com o que é possível sentir realmente, sem se ter o trabalho de versejar.
Desapontado consigo por ter percebido o quanto havia perdido se dedicando àqueles versos, ficou ali parado, sentado na cadeira. E uma folha foi sendo rascunhada. Versos. Os únicos com algum sentimento, talvez.

De vós, de vós eu não preciso!
Necessito é de voz
Eu não vos sinto
Sinto muito
Não me tornastes poeta algum
Só roubastes meu tempo
Pensando em vós
Esqueço a vida
Até nunca mais, senhores
Perturbai outra vida
Vontade de sentir
É o que sinto

- Droga! - repentinamente, amassou o papel e ergueu-se. A vida o esperava.