sábado, 17 de abril de 2010

NA IX BIENAL DO LIVRO DO CEARÁ

Era dia 14/04, uma quarta-feira, à noite. A "Arena Multicultural 'Memorial de Maria Moura'", no Centro de Convenções, estava lotada de espectadores que esperavam ansiosamente a chegada de Ziraldo, o mineiro criador do Menino Maluquinho. O tema da conversa era: ler é mais importante do que estudar? A resposta afirmativa do ilustre convidado gerou reações, principalmente das crianças que, para graça da noite, manifestaram-se com o microfone nas mãos. Um menino, então, falou e mostrou sua esperteza e não se importou com a tal "conveniência", dos adultos:

- Ziraldo, você falou que é mais importante ler do que estudar. Mas quando a gente tá estudando a gente num tá lendo?

Juntas a essa pergunta, as primeiras palavras de Ziraldo como resposta fizeram todos rirem. Num tom repreensivo brincalhão e bem humorado, Ziraldo falou:

- Menino, deixe de se meter a sabido!

Pouco depois, um outro garoto, já tendo feito sua pergunta, foi chamado por Ziraldo para se aproximar da mesa. Este, então, falou:

- Você gosta de ler?

- Gosto.

- Você lê muito?

- Leio.

- Seus pais leem pra você?

- Leem.

- Menino, você tá salvo!

E, na platéia, alguns aplaudiram e todos riram

quinta-feira, 1 de abril de 2010

O AMORZINHO QUE EU NUNCA TIVE

E quem sabe nunca terei, é uma garotinha linda. Linda e leve e pequena e com um vestidinho rosa que se agita quando ela corre atrás de mim depois de eu lhe atormentar com muitos carinhos, porque eu a amo tanto!... Mas ela corre, calçando aquelas sapatilhas de boneca, ela corre feliz, balançando o cabelo arrumado, e me bate com pancadinhas que mais me afeiçoam do que me magoam. Na verdade, só me afeiçoam, porque ela é uma garotinha linda. Linda e meiga e frágil e forte com seus bracinhos que enlaçam o meu pescoço num abraço bem aconchegante, seguido de um beijo demorado na minha bochecha.

O amorzinho que nunca tive é uma garotinha que, com esses gestos puros, dispensa qualquer palavra, corruptora do encanto existente nos seus pequenos olhos que brilham. Olhinhos que brilham, com maior ou menor intensidade, mesmo quando não há sorrisos, mesmo quando há lágrimas; e é assim que percebo nela as sutilezas de criança, pois logo noto a diferença de luz no meu caminho. Brilham até quando, sentada sobre minhas pernas e encostada ao meu peito, ela dorme; ou quando ela o faz com a cabeça sobre um dos meus ombros, eu a segurando. A luz dos olhos, nesses momentos, resguarda-se no corpo e se espalha por todo ele, acalmando-o, fazendo com que ela, minha pequena, tenha um sono tranquilo. Tranquilo e sereno e livre de todos os problemas é como me sinto quando a vejo assim, nesses instantes de grande proximidade entre nós dois, e sinto seu cheiro suave e percebo a luz por trás de suas pálpebras.

É muito bom, meu amorzinho que nunca tive, segurar na tua mão e te ajudar a chegar a um lugar que seja bom e bonito para ti, e para mim, e para todos; sinto-me bem por poder te ensinar o que sei e te amo ainda mais por me ensinares o que nunca saberei; sou o cara mais feliz do mundo por te ter ao meu lado a cada dia, mas me aperta o coração ter que te ver em outros rostinhos e segurada por outras mãos que não as minhas; e quando, pelas ruas da cidade, dás um sorriso para mim, não sabes, pequenina, o quanto és impiedosa e generosa comigo.

Mãe, por que nunca me deste uma irmãzinha?