Um rapaz entrou na banca de jornais e revistas, a única que havia na praça. Sem cerimônias, ele chegou e abordou a senhora dona da banca:
- Tia, me dá dois bombons.
- Tá aqui, meu filho - disse sorrindo, simpaticíssima.
Depois de entregar as moedas, o rapaz agradeceu e se despediu.
- Valeu, tia. Até mais.
Dentro da banca, eu continuava folheando algumas revistas. A presença gentil daquela magra senhora permitia a qualquer um ficar à vontade.
Em poucos minutos, um casal de adolescentes chegou à procura de biscoito recheado.
- Tem biscoito, tia?
Se tinha biscoito eu não sei, mas antes mesmo daqueles dois irem embora, a banca virou um pacote de biscoito fechado. Todos os garotos da cidade estavam ali. Nesse momento, um só vocativo começou a saltar e voar para todos os lados, enlouquecidamente. Tia, tia, tia...
Quando os "sobrinhos" foram embora e o sufoco passou, voltei a ficar só na banca, minha oportunidade para descobrir algo que estava me intrigando. Aproximei-me do balcão-vitrine e perguntei:
- Com licença. Por que a senhora sempre é chamada de tia?
- Ora - e abriu o costumeiro sorriso - porque tia não é mãe e nem avó, é mediana e descompromissadamente tia.
4 comentários:
ah sim!
=)
hehehe
Belo conto!
Eu lembro que quando essa história de "tia" começou, quase ninguém gostava de ser chamado assim. Antigamente usava-se apenas para mães de amigos, e depois que passou a qualquer pessoa na rua. Eu não utilizo, mas, convenhamos, é bem simpático!
mandei um e-mail pra ti com o regulamento do concurso literario que estamos organizando, dá uma olhada!
Abraço
é conto bem..simpatico..alias ser chamada de tia é uma forma de ficar intimo de alguém...o que é algo positivo nessa sociedade individualista em que vivemos..
então, valeu tio!
Pensando...
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