quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

A TIA DE QUALQUER SOBRINHO

Um rapaz entrou na banca de jornais e revistas, a única que havia na praça. Sem cerimônias, ele chegou e abordou a senhora dona da banca:

- Tia, me dá dois bombons.

- Tá aqui, meu filho - disse sorrindo, simpaticíssima.

Depois de entregar as moedas, o rapaz agradeceu e se despediu.

- Valeu, tia. Até mais.

Dentro da banca, eu continuava folheando algumas revistas. A presença gentil daquela magra senhora permitia a qualquer um ficar à vontade.

Em poucos minutos, um casal de adolescentes chegou à procura de biscoito recheado.

- Tem biscoito, tia?

Se tinha biscoito eu não sei, mas antes mesmo daqueles dois irem embora, a banca virou um pacote de biscoito fechado. Todos os garotos da cidade estavam ali. Nesse momento, um só vocativo começou a saltar e voar para todos os lados, enlouquecidamente. Tia, tia, tia...

Quando os "sobrinhos" foram embora e o sufoco passou, voltei a ficar só na banca, minha oportunidade para descobrir algo que estava me intrigando. Aproximei-me do balcão-vitrine e perguntei:

- Com licença. Por que a senhora sempre é chamada de tia?

- Ora - e abriu o costumeiro sorriso - porque tia não é mãe e nem avó, é mediana e descompromissadamente tia.

4 comentários:

Thiago César disse...

ah sim!
=)

CA Ribeiro Neto disse...

hehehe

Belo conto!

Eu lembro que quando essa história de "tia" começou, quase ninguém gostava de ser chamado assim. Antigamente usava-se apenas para mães de amigos, e depois que passou a qualquer pessoa na rua. Eu não utilizo, mas, convenhamos, é bem simpático!

mandei um e-mail pra ti com o regulamento do concurso literario que estamos organizando, dá uma olhada!

Abraço

Gabriela benigno disse...

é conto bem..simpatico..alias ser chamada de tia é uma forma de ficar intimo de alguém...o que é algo positivo nessa sociedade individualista em que vivemos..

então, valeu tio!

Marcella disse...

Pensando...