Ele acordou e, ainda deitado, sorriu: pensava nos amigos, que dali em pouco iria rever, como quase todos os dias. Adorava a presença deles, poder conversar, sobre tudo.
Levantou-se e viu aquele quarto vazio, só ele ali. Não se sentiu tão à vontade, mas logo lhe veio outro sorriso confortante, lembrou-se de como aquele espaço ficava cheio e animado quando os seus amigos iam lhe visitar. Foi, então, cumprir os primeiros afazeres do dia. Mas o que faz um estudante adolescente no começo de um domingo?
Estava na hora de ir encontrar os amigos e bater aquele papo gostoso. Nada melhor que uma boa conversa! O tempo, nessas horas, torna-se um inimigo.
Antes de sair, mexia na estante sempre desarrumada quando viu uns papéis soltos, com versos escritos por ele. Veio-lhe um ímpeto de jogar todos no lixo; para nada serviam, senão desarrumar a estante e tomar-lhe o valoroso tempo. Não diziam muita coisa: versos sem sentimento. Foram parar na lixeira do banheiro. Bastava de tentativas de sentir, para isso havia os amigos, as conversas com eles, um abraço, um beijo e tudo com o que é possível sentir realmente, sem se ter o trabalho de versejar.
Desapontado consigo por ter percebido o quanto havia perdido se dedicando àqueles versos, ficou ali parado, sentado na cadeira. E uma folha foi sendo rascunhada. Versos. Os únicos com algum sentimento, talvez.
De vós, de vós eu não preciso!
Necessito é de voz
Eu não vos sinto
Sinto muito
Não me tornastes poeta algum
Só roubastes meu tempo
Pensando em vós
Esqueço a vida
Até nunca mais, senhores
Perturbai outra vida
Vontade de sentir
É o que sinto
- Droga! - repentinamente, amassou o papel e ergueu-se. A vida o esperava.
Um comentário:
melhor post teu q eu li ateh agora!
otimo conto!
me identifikei muito!
"vontade de sentir
é o que sinto"
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