quinta-feira, 29 de maio de 2008

Metáforas

Um pássaro preso
Que deseja esvoaçar
Um gato triste, sem um dono
Que o possa alisar

Um cão com raiva
Que não consegue latir
Um ladrão roubado
Que não sabe aonde ir

Um poeta sem paixão
Um cantor sem uma canção
Eu me sinto assim

Um deus impotente
Uma frase que mente
Não sei se isso terá fim

terça-feira, 22 de abril de 2008

A sala

Para mim, a Literatura
Ainda é uma sala escura
Onde eu acabei de entrar
E não pretendo sair,
Apesar da escuridão
Que só tende a assustar.
Mesmo vendo quase nada,
Lá me sinto bem
É uma sala arejada
E muito confortável.
Nessa sala não há lâmpada
Que eu possa acender
E de repente tudo ver.
Preciso esperar que o tempo,
Na sua soberba passagem,
Torne velho e frágil
O novíssimo telhado
Da sala onde estou.
Somente assim, então,
A luz poderá penetrar
Naturalmente
Através do telhado quebradiço.
Enquanto isso,
Terei de me adaptar à escuridão,
Que sei ser temporária,
Pois lá vou me fixar.
Construirei,
A partir dessa única sala,
Muitos outros cômodos,
Fazendo da Literatura
Minha moradia
Onde tenha um jardim
Que eu possa plantar poesia

Um semipoeta

O que é ser poeta, afinal?
Creio que quem realmente o seja
Quase sempre deseja
Brincar no carnaval
Ao sê-lo por completo
De vida você fica repleto
Pois ser poeta não é só em verso escrever
Mas também ter uma vida pra viver
E por isso digo e não hesito
Isso pode até soar esquisito
Mas sou um semipoeta por enquanto
Até da vida descobrir o encanto

domingo, 20 de abril de 2008

Imerso em Versos


Imerso em versos: esse é meu estado, minha situação. Eu estou imerso em versos. Dizendo melhor, faz algum tempo que eu sou imerso em versos.

Antes dessa imersão, eu apenas flutuava no mar das palavras. Apaixonado por nadar nesse infinito mar, percebi que podia mergulhar nas suas profundezas. E o fiz. Mergulhei por vontade própria mas muito mais involutariamente, pois naquele momento algo me puxava, fazendo com que eu descesse mais rápido e, ao mesmo tempo, orientando-me, dizendo para onde eu devia ir.

Lá chegguei: nos versos. Fiquei maravilhado diante deles, com sua beleza e poesia. Antes eu não os enxergava, mas a partir dali, quando comecei a notá-los, passei a perceber também outro mundo.

Desde então, nunca mais quis sair da presença dos versos, nos quais estão imersos meu corpo, minha mente e meu espírito. E a cada dia afundo-me mais e mais, sem possibilidade de retorno à superfície desse mar.