terça-feira, 22 de abril de 2008

A sala

Para mim, a Literatura
Ainda é uma sala escura
Onde eu acabei de entrar
E não pretendo sair,
Apesar da escuridão
Que só tende a assustar.
Mesmo vendo quase nada,
Lá me sinto bem
É uma sala arejada
E muito confortável.
Nessa sala não há lâmpada
Que eu possa acender
E de repente tudo ver.
Preciso esperar que o tempo,
Na sua soberba passagem,
Torne velho e frágil
O novíssimo telhado
Da sala onde estou.
Somente assim, então,
A luz poderá penetrar
Naturalmente
Através do telhado quebradiço.
Enquanto isso,
Terei de me adaptar à escuridão,
Que sei ser temporária,
Pois lá vou me fixar.
Construirei,
A partir dessa única sala,
Muitos outros cômodos,
Fazendo da Literatura
Minha moradia
Onde tenha um jardim
Que eu possa plantar poesia

2 comentários:

Anônimo disse...

A literatura é uma amante perversa que quer nos aprisionar..."

Um abraço,

imcompreendida - http://imcompreendida.zip.net/

CA Ribeiro Neto disse...

Bela poesia, Paulo Henrique.

Só tome cuidado com algumas pessoas que insistem em deixar essa luz desligada. Nossa missão não é se acostumar com a escuridão, e sim arranjar um meio de clarea-la!

e quanto ao jardim, para plantar poesia, temos que acreditar que podemos fazer isso em qualquer canto!

Essa garota que comentou primeiro, é amiga minha, viu?
Abraço