quinta-feira, 28 de abril de 2011

VASTIDÃO

Malditos os prédios, grande lua, que não me deixam te encarar.
Eu não quero te perder de vista nem sequer por uma fina torre de
segundos.]
Isso! Me persegue, vai!:
Esse teu olhar cheio, intenso, vivo
que é o teu corpo solitário.

Malditos os lençóis, que não me deixam dormir sobre o vasto seio
dela
assim ininterruptamente,
sem pausa pra pejos e filosofias
e tudo mais que seja lençol.

Bendita a noite em que, sob a vasta lua,
eu caí sobre o vasto seio
e os três corpos se alinharam.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Gabriel o Pensador - Pra onde vai?

Lembrei dessa música nesses dias, por causa dos assassinatos das crianças no Rio, nesse dia 7. É uma coisa que realmente choca, e particularmente mais ainda por serem crianças as vítimas. Aí está o Gabriel, com sua letra - pra variar - mais que pertinente, tocante.

A letra:

Mais uma vida jogada fora
Um coração que já não bate mais, descanse em paz
Sonhos que vão embora, antes da hora
Sonhos que ficam pra trás

Pra onde vai você? Pra onde vai? Pra onde vai o sol quando a noite cai?

E agora?

A dor é do tamanho de um prédio
A casa sem ele vai ser um tédio.
A dor é do tamanho de um prédio.

Não tem remédio, não tem explicação, não tem volta
Os amigos não aceitam, o irmão se revolta
A família não acredita no que aconteceu
Ninguém consegue entender porque o garoto morreu
Tiraram da gente um jovem tão inocente
E a sua avó que era crente hoje tem raiva de Deus
O seu pai ficou mais velho, mais sério e mais triste
E a mãe simplesmente não resiste
Além do filho, perdeu o seu amor pela vida
E à nora agora tem tendências suicidas
E a namoradinha com quem sonhava se casar
Todo mundo toda hora tem vontade de chorar
Quando se lembra dos planos que o garoto fazia
Ele dizia: "Eu quero ser alguém um dia"
Sonhava com o futuro desde menino
Ninguém podia imaginar o seu destino
Mais uma vítima de um mundo violento
Se Deus é justo, então quem fez o julgamento?

Pra onde vai você? Pra onde vai? Pra onde vai o sol quando a noite cai?

Por quê um jovem que vivia sorridente perde a sua vida assim tão de repente?
Logo um cara que adorava viver
Realmente é impossível entender
E nenhuma resposta vai ser capaz de trazer de novo a paz à família do rapaz
Nunca mais suas vidas serão como antes
E eles olham o seu retrato na estante
Aquele brilho no olhar e o jeitão de criança
Agora não passam de uma lembrança
E a esperança de que ele esteja bem, seja onde for, não diminui o vazio que ele deixou
É insuportável quando chega o seu aniversário
E as suas roupas no armário parecem esperar que ele volte de surpresa
Pra ocupar o seu lugar vazio à mesa
A tristeza às vezes é tão forte...*
A tristeza às vezes é tão forte que é mais fácil fingir que não houve morte
Porque sempre que ele chega pra matar as saudades
Ele vem com aquela cara de felicidade
Alegrando os sonhos e querendo dizer que a sua alma nunca vai envelhecer
E que sofrer não é a solução
É melhor manter acesa a chama no coração
E a certeza na mente de que um dia se encontrarão novamente.

Pra onde vai você? Pra onde vai? Pra onde vai o sol quando a noite cai?

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

NEM TODO SANTO DIA É SANTO

Desculpem a prolixidade do texto.

Todo santo dia tratamos de dormir e de acordar, comer, fazer o que se faz. Mas nem todo dia é santo, então dormimos, acordamos, comemos e ficamos matutando; uma ideia besta nos toma a cabeça, no sono, ao nos espreguiçarmos ou na mordida do pão à mesa. Tendo a ideia se apossado devidamente, ainda fazemos o que se faz, mas não como se costuma fazer; o alheamento agora pretende ser de um nível maior que aquela indiferença rotineira. Ora, temos, a partir daí, se nos perguntarem porque andamos tão avoados, um motivo mais do que forte para dizer que por ora não respondemos imediatamente à questões frívolas - frente ao iluminado pensamento - como a tal pergunta, que não é de imediato respondida. Além dos demais estímulos externos, que se anulam.

A ideia que tive não me causou tudo isso, e não sei se por isso dou graças aos céus ou os amaldiçôu. Ela também não durou muito; antes do fim do dia já tinha me deixado, ou eu por mim a abandonei, o que mais uma vez me deixa confuso, visto que já me soltaram um "Deus te livre de uma ideia fixa" ao passo que a ideia fixa é que constrói homens fortes. Não sou forte. Sou besta, com uma ideia besta, não passa disso. O que pensei é no máximo curioso, e parte dessa curiosidade já se evapora se a mesma ideia passou por outra cabeça que não a guardou, como não guardo agora.

Trata-se apenas de uma observação do cotidiano, digamos linguístico, já que o objeto está na área da palavra falada. Para ser mais preciso, são duas falas, comumente pronunciadas por todo mundo, seja a pessoa religiosa ou profana. São as seguintes: "todo santo dia...", seguida de um complemento indicado pelas reticências e "nem todo dia é santo". A contradição é explícita. Talvez porque não façam parte dos chamados ditados populares, embora sejam exaustivamente ditos e bem populares


Os ditados, apesar de serem usados tanto, não se desbotam - às vezes uma nódoa aqui ou acolá - e seguem de boca em boca, de tempos em tempos, sem perder a força significativa. E assim só sobrevivem porque podem ser ditos por todos e por cada um. Nisso são iguais às falas citadas. E uma sentença à moda ditado prova o que aqui se diz: "Jesus não tem dentes no país dos banguelas", nome - para dar o crédito - do disco gravado pelos Titãs em 1987. É simplesmente a adaptação humana, que não deixa de agir no campo das ideias. Se o dia é santo ou deixa de ser, isso não importa, o que vale é a ação da palavra sobre a realidade, a que nos é chamada a atenção pelos ditados e pelas falas em questão, enfatizando-a.

Se foi santo aquele dia em que os raios do Sol nascente iluminaram muito mais que o meu quarto, chegando a invadir os aposentos do meu cérebro - alguém falaria ser um contato com os próprios deuses - ou não, se não foi nada santo o dia em que no meu quintal plantei uma árvore da ciência do bem e do mal, cujo fruto mordido me fez olhar para algo invisível aos ouvidos e perceber a santa contradição que há séculos se estabelecera, sinceramente não sei dizer. O fato é que naquela noite eu não sonhei com os anjos.

acho que estou lendo muito Saramago.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

ALGUNS FILMES QUE MARCARAM

Os filmes que colocarei aqui não são necessariamente bons filmes, mas de alguma forma me marcaram, seja pela temática, pelo impacto ou por um valor sentimental. Ou qualquer outra coisa. Mas não nego que gosto de todos, casso contrário não os poria aqui. Vou escrever mais as minhas impressões do que falar sobre o enredo, que pode ser achado bem rapidim no Google. OK? Aí vão.

A BRUXA DE BLAIR: do diretor Daniel Myrick, o filme é de 1999. É um dos poucos filmes de terror que realmente me dão medo, se não for o único. Na primeira vez que eu fui assistir a esse filme - eu devia ter uns 13 anos - não consegui vê-lo todo. Passou no SBT à noite e eu estava sozinho de frente pra TV. Dali em diante algumas cenas ficaram na minha cabeça, mas quando, depois, assisti todo, a situação piorou: é sério, até hoje me arrepio se me lembrar de algumas cenas, como as "crianças" batendo na barraca à noite ou a última cena da casa abandonada.

O MÁSCARA: do diretor Chuck Russell, o filme é de 1994. Acho que esse a maioria já assitiu. Com Jim Carrey no papel principal. Foi o primeiro filme que assisti no cinema. Passei muito tempo vendo ele toda vez que passava na TV. O cachorro Milo é inesquecível!

ADVOGADO DO DIABO: de 1997, do diretor Taylor Hackford. Com Al Pacino, Charlize Theron e Keanu Reeves no elenco. Gosto bastante do desenrolar da história, da temática e do tom um tanto quanto desafiador e ácido do filme. Posso assistir quantas vezes for e acho que vou sempre repetir. Adoro a fala de Milton (Al Pacino), a encarnação do próprio diabo: "Vaidade é definitivamente meu pecado favorito". O filme mostra um escritorio de advocacia onde todos os juristas são pequenos diabos, disfarçados comandados por Milton. Lomax (Keanu Reeves) é contratado para entrar no time e, adivinha, se corrompe.

PONTE PARA TERABÍTIA: do diretor Gabor Csupo, é de 2007. Um filme de aventura encantador sobre o poder da imaginação. O garoto Jesse conhece a menina Leslie e os dois, digamos incompatíveis com o as outras crianças, resolvem brincar na floresta perto de casa. Lá. começam a inventar seres e lugares que não existiam na floresta. Então criam um mundo só deles: Terabítia, que fica do outro lado do riacho. Juntos, vivem grandes aventuras.

O CUROIOSO CASO DE BENJAMIN BUTTON: de David Fincher, lançado em 2008. Benjamim é um homem que nasce velho e vai rejuvenescendo, até que morre bebê. O filme todo é recheado de sutis ensinamentos, e os personagens que Benjamim encontra são bem curiosos, como Mike, capitão de um barco rebocador, que se considera um artista pelas tatuagens que fez no próprio corpo.

DEIXA ELA ENTRAR: do diretor Tomas Alfredson, lançado em 2008. O filme é sueco. Há uma versão ianque, mas ainda não vi. O filme, de terror, é de temática vampírica, mas bem diferente de todos os filmes de vampiro que já assisti. É bem um antidoto pra essa praga de Crepúsculo - me desculpem se fui rude na expressão. O filme é bem parado - mas não sonolento, de forma alguma - mas tem uma atmosfera incrivelmente assombrosa e envolvente. A trilha sonora ajuda bastante. Trata-se de uma relação entre um garoto mortal (Oskar) e um menina vampira (Eli). O filme é lindo.

EDUCAÇÃO: de Lone Scherfig, o filme é de 2009. Tentei assistir a esse filme num daqueles sites em que dá pra assistir on-line, mas fui surpreendido com a interrupção repentina e um pedido de cadastro. Só de mal, não me cadastrei e fui ver no cinema. Tinha gostado muito do que foi me permitido ver. Então, em plena Copa do Mundo, num dia do jogo da seleção brasileira, fui ao cinema com um amigo, por insistência minha; eu temia que se eu fosse esperar, ele poderia sair de cartaz, pois é dum daqueles filmes sem muito público. Eis um pouco da história, que se passa em Londres: uma bonita adolescente (Jenny) vive com os pais, que querem vera a filha em Oxford. Jenny conhece David, um homem na casa dos trinta, charmoso e, digamos, desenrolado. Ele a apresenta a vida noturna da cidade, os pontos culturais, o bom da vida. Ela fica entre a educação formal e os ensinamentos da vida. Outro filme muito bonito. Ah, mas deu pra assistir ao jogo do Brasil também.