Talvez porque a cama parecesse mesmo um ataúde, estreita e desconfortável que era, nela ele JAZZia qual um moribundo, apesar de se remexer lentamente de vez em quando, como que embalado por uma lenta melodia. Era manhã de domingo e a semana no trabalho tinha sido dura, como sempre. Estava muito cansado.
Uma faísca de sol entrou pela fresta do telhado velho e o beliscou bem na bochecha negra. O efeito não foi imediato, mas o dedo quente insistiu em cutucar, de modo que mudou o ângulo e foi para no olho do adormecido. Este até quis escapar, virando-se de lado; mas se antes era um dedo, agora uma mão inteira lhe dava tapas por todo o corpo: ele sabia que as telhas precisavam ser trocadas. E o sabia tanto que as encarou com raiva quando finalmente abriu os olhos. Sentou-se na cama, espreguiçou-se gostosamente e buscou a chinela. A água fria no rosto o fez terminar de acordar.
Pegou uma BLUESa azul qualquer em cima duma cadeira e foi comprar pão; em casa, tinha deixado a água esquentando. No caminho, assobiava algo que lhe vinha na memória; o som agudo e ritmado que saía da própria boca lhe distraía, ele com a cabeça levantada pro céu, não encontrou um que pudesse lhe acompanhar. Mas "no meio do caminho tinha uma pedra", e ele a encontrou. A topada levou o nosso assobiador ao chão. Isso mesmo, ele topou numa ROKC e ROLLou e rolou e quando parou, bufou. Viu a chinela quebrada e não aguentou; soltou: "FOLK you!" O grito, direcionado ao nada, saiu e levou consigo a raiva.
Em casa, ele já soprava o café na xícara quando conseguiu sintonizar no pequeno aparelho de rádio uma estação qualquer. A música que passava naquele momento o fez se esquecer do dedão que latejava, da cama desconfortável, da dura semana, da difícil vida. A música que lhe chegava aos ouvidos era o som do próprio assobio.
Uma faísca de sol entrou pela fresta do telhado velho e o beliscou bem na bochecha negra. O efeito não foi imediato, mas o dedo quente insistiu em cutucar, de modo que mudou o ângulo e foi para no olho do adormecido. Este até quis escapar, virando-se de lado; mas se antes era um dedo, agora uma mão inteira lhe dava tapas por todo o corpo: ele sabia que as telhas precisavam ser trocadas. E o sabia tanto que as encarou com raiva quando finalmente abriu os olhos. Sentou-se na cama, espreguiçou-se gostosamente e buscou a chinela. A água fria no rosto o fez terminar de acordar.
Pegou uma BLUESa azul qualquer em cima duma cadeira e foi comprar pão; em casa, tinha deixado a água esquentando. No caminho, assobiava algo que lhe vinha na memória; o som agudo e ritmado que saía da própria boca lhe distraía, ele com a cabeça levantada pro céu, não encontrou um que pudesse lhe acompanhar. Mas "no meio do caminho tinha uma pedra", e ele a encontrou. A topada levou o nosso assobiador ao chão. Isso mesmo, ele topou numa ROKC e ROLLou e rolou e quando parou, bufou. Viu a chinela quebrada e não aguentou; soltou: "FOLK you!" O grito, direcionado ao nada, saiu e levou consigo a raiva.
Em casa, ele já soprava o café na xícara quando conseguiu sintonizar no pequeno aparelho de rádio uma estação qualquer. A música que passava naquele momento o fez se esquecer do dedão que latejava, da cama desconfortável, da dura semana, da difícil vida. A música que lhe chegava aos ouvidos era o som do próprio assobio.
14 comentários:
Paulo Henrique, mais um membro do Blog's de Quinta:
Herbenia Ribeiro - www.nabuscadeumaaprendizagem.blogspot.com/
Adcionem.
o senhor da história eh tu eh mah?!
hahai!
gostei das referências aos estilos musicais!
que delicia de ler este texto!!!
amei...
O bom é que o próprio alívio veio dele mesmo, do som que brotou de dentro...pena, tem "gente" que quase sempre tem que se auto-consolar, por falta de amigos atenciosos, de boa vontade =(
Rapaz, você tem que levar esses textos para ler no Eufonia!!!!
O texto está tão verídico como sempre, mas como já me acostumei contigo, acho que já tou conseguindo perceber quando é real mesmo ou fictício.
Quanto ao final, a arte tem esse poder mesmo, pena que há umas não tão difundidas quanto às outras. Não falo nem da literatura, mas seria tão legal se todo mundo tivesse um quadro fulero de pintura para tomar café olhando-o.
*-* que texto lindo
e o título foi muuuuuito bem escolhido
realmente apaixonante seu texto
=D
nunca perco tempo quando venho ler no teu blog coisas legais.
paulinho, o que é um ataúde?
"A poesia cala o mundo."
Adorei a mensagem passada pelo texto!
Isso vai render uma poesia, talvez...
ei, ontem era dia de tu atualizar. cadê? =D
adoro. espero pra te ler na quinta, entao...
Bem legal o texto, apesar de simples. Bem escrito como sempre, claro. Só acho q algumas referências musicais poderiam ter sido mais bem feitas (o JAZZia e a BLUESa ficaram tão legais, que achei o ROCK e ROLLou e o FOLK you meio desinspirados) mas, como sempre, uma reclamação menor. Só não digo que esperava ver mais atualizações pq eu não posso cobrar de ninguém, mas q dah vontade de ler mais textos teus, isso dá. heheh
Abração.
putz leria demais teus livros oh!
muito bom mesmo PH!
Uma fluidez, um naturalidade, somadas a muito talento! Eis bom, caro amigo!!!
Quero uma bela dedicatória quando publicar o primeiro, hein! xD
Abraço grande!!!
Paulo,
passava aqui por esses dias e via esse texto, e o titulo que tu colocou me deu a impressão que tu falaria sobre poesia... Mas não, escreveu um texto que inspira uma poesia... muito legal... gostei muito.
Beijão!!!
E parabéns pela "bolsa", vc merece!
E desculpe tb se naquele dia te pertubei para ir tomar café... coisa de viciada, rsrsrrs
;)
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