Considerando, também, a nossa posição opinativa – pelo menos daqueles com quem conversei – a respeito do veículo daquela mesma escrita, a artística, pude, então, ver claramente as duas questões, as quais, na verdade, se reduzem a apenas uma.
Destas duas opções, em uma nos encaixaríamos: ou seríamos um grupo de hipócritas/fingidores ou seríamos totalmente verdadeiros, entrando, porém, nuam grande contradição.
Explico-me
Se concordarmos em dizer que o livro é o melhor meio e o mais favorável à leitura de textos literários, e que a percepção destes só se dá de forma completa e profunda nas páginas de papel, estaríamos fingindo descaradamente ao trocar comentários os mais apaixonados possíveis, já que a tela de um computador é fria o suficiente para não permitir uma aproximação calorosa, necessária à literatura.
Por outro lado, seríamos totalmente honestos e sinceros com nós mesmos e com os amigos blogueiros; os profundos comentários seriam um puro reflexo da nem um pouco rasa percepção dos textos. Estaríamos, entretanto, nos contradizendo. Seríamos como que líderes ou precursores de uma revolução contra a qual nos voltamos. Revolução essa que teria como auge a popularização dos e-readers ou leitores de e-books, os livros eletrônicos.
Ou ainda, e por fim, uma terceira opção que me veio agora e que anula as duas anteriores: não escrevemos literatura. Nossos texto, portanto, são perfeitamente adaptáveis ao ambiente virtual.
Mas essa possibilidade eu descarto completamente. Escrevemos, sim, literatura. Nossa preocupação maior é o despertar da sensibilidade, é a leitura prazerosa, ou não, é a leitura angustiante. O que nos faz escrever, enfim, é saber que depois aquilo vai ser lido gostosamente.
A questão única, aliás, de que falei mais atrás e em que tudo isso se converte é o quanto seremos resistentes a essa evolução da qual fazemos parte. Ainda que defendamos com unhas e dente nosso habitat - o livro - não podemos ser bairristas irracionais e nem, é claro, podemos nos entregar de bandeja a essa situação de mudança que tanto nos ofende. Afinal, somos seres humanos, temos o poder de agir sobre a natureza, sobre suas mudanças, acelerando-as, fazendo-as ir mais lentamente e até mesmo impedindo-as.
E é justamente por sermos seres humanos que não devemos nos preocupar tanto assim com o grau de frieza de um veículo de arte porque, além de ser veículo de arte, enquanto esteivermos aqui, tudo - embora fatos provem o contrário - mas acredito que enquanto existirmos, tudo será suscetível de sensibilização.
6 comentários:
Primeiramente, uma pergunta, por que a adaptação de um texto ao mundo virtual o descaracterizaria como literatura?
Aff... eu tinha mil comentários, mas me deu mais vontade de conversar.
Até pederia teu msn, se eu estivesse realmente usando o meu. Domingo a gente conversa, pessoalmente, não nessa beleza fria da tela do computador.
kkkkkkkkkkkk
concordo com vc!
pra falar a verdade, eu nunca fui muito de ler, e esse grupo virtual do "blogs de quinta" tem me ajudado bastante a desenvolver esse hábito, nem q seja soh por aki.
Não tinha lido este texto antes do encontro, se o tivesse feito teria discutido mais sobre tal questão...
Aqui realmente não é o melhor ligar para se debater algo tão interessante...
Essa discussão vai longe. Eu realmente acho que os textos no blog são sim literatura e, reafirmo o que eu disse no encontro retrasado do Grupo Eufonia (é tão bom dizer ou escrever esse nome!), que apesar de idolatrarmos o livro, o blog nasce da vontade de se expressar e não ter como publicar livros. É mais ou menos um "se só tem tu, vai tu mesmo". Mas vocês mesmo citou uma das vantagens do blog: dá para se comentar, coisa que é mais complicada no livro!
Enfim, acho que conforme discutimos isso - não foi a primeira vez e não será a última - percebo cada vez mais que, pelo menos para seguir a lógica de meu pensamento, devo sim me preparar melhor para esse avanço da tecnologia, ao invés de querer somente os livros.
Enfim, teremos muitos encontros do Grupo Eufonia (que massa!!!! heurheurheuh) para discutirmos isso!
Como tu tinha lido no Grupo Eufonia, entramos no âmbito de mérito da publicação, o status que o livro leva, e a credibilidade duvidosa de um blog. Não querendo entrar nessa questão novamente, fico a pensar aqui. Provavelmente o Brasil não vai ser o pioneiro dessa revolução e ficará em última, ou penúltima camada, talvez tenhamos mais tempo. Eu ainda tenho o sonho da publicação e acho que isso tenha mais credibilidade, apesar de gostar do contato com os leitores. E continuarei assim, já que acho que minha literatura não pode ser mercadoria ainda, ou talvez nunca seja. Mas eu duvido muito que o livro em papel saia de circulação.
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