Um gato choramingava insistente na soleira de uma casa, querendo abrigar-se da chuva.
O menino, lá de dentro, ouviu as comoventes súplicas e foi abrir a porta. Em instantes, o garoto secou o pelo do gato com a própria toalha e já brincava com o felino pelo chão: rolava, arrastava-se atrás dos “miaauu!” e abraçava com força (e carinho) o bichano. Nisso, a mãe terminou de preparar o almoço. Viu a cena e, repreensiva, chamou o filho pra almoçar:
- Menino, larga esse gato e vem almoçar – gritou da cozinha.
Como ele não desse ouvidos, ela, irritada, atravessou o pequeno corredor que separava a rústica cozinha da rudimentar salinha-de-estar e o pegou pelo braço.
- ‘Bora, tá me ouvindo não, é? Vai tomar banho pra comer. Vai, vai, vai! – pondo-o à força para o banheiro, ao mesmo tempo em que o despia grosseiramente. Onde que tu arranjou esse bicho, hein? Só o que me faltava: um leproso dentro de casa. Olha aqui, eu não quero tu pegando nesse bicho – dizia olhando firme pro filho. Depois tu fica doente e vai sobrar pra mim.
O gato, longe de estar preocupado com o menino, repreendido por sua causa, procurava comida. Estava faminto. Por uma percepção sobrefelina, ele viu quem era sua arquiinimiga e não foi (como fariam os outros de sua espécie) se enroscar entre as pernas da dona da casa. Resolveu usar do seu instinto para caçar ratos. Num pulo, percorreu toda a casa e achou um na cozinha, atrás do fogão. Bem que podia ter sido em outro lugar, mas não havia tantas opções. Deu azar; invadiu o hábitat do temido monstro. Este até se esquecera do “leproso”, no entanto os movimentos do caçador não eram tão sorrateiros.
- Sai daqui, gato imundo! – e o levantou pelo couro pra colocá-lo pra fora.
O menino, seu salvador, tentou manter o título e gritou, esperneou, pedindo à mãe que não fizesse aquilo. O mesmo que nada.
E lá estava ele de novo na chuva, infeliz, triste. Pelo menos tinha um rato na boca. Um rato que não seria culpado pelas próximas estatísticas de leptospirose, das quais faria parte o menino salvador.
4 comentários:
Ponto de vista.
É tudo uma questão de probabilidades, possibilidades, escolhas. Uma decisão de ontem certamente pode ter determinado o dia em que nós morrermos...
Achei o estilo de escrever um pouco diferente do seu habitual, isso é vero? De qualquer forma, gosto mais do outro estilo, apesar de que você se saiu muito bem nesse. Tá de parabéns!
Antes de terminar o texto: você precisa mudar o tipo de letra do seu blog, por vezes os espaços entre as palavras não ficam definidas e atrapalha a leitura.
Depois de ler o texto: Realmente está um texto mais direto, mas é bom mesmo variar.
na parte: "o menino, seu salvador, tentou manter o título e gritou" - essa parte de "título" ficou esquisita, primeiro, porque pode confundir com o titulo do conto "dia de chuva" e segundo, pq título se ganha de alguém, mas quem o deu? Você, autor? O gato, que nem se preocupou com ele?
Bem, pensei e não descobri como substituir, mas podíamos ver isso num encontro do apple!
Abraço
Não vou ficar fazendo críticas, já basta o Carlim, hauaha. Mostrou o lago ingrato e chamativo dos gatinhos, eu mesmo tenho um, e eles são assim mesmo. Não estão nem aí pra gente, no geral. Ao menos é o que parece, há tem defenda que maldições jogadas no dono pegam nos gatos. Bom texto, abraço.
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