sexta-feira, 14 de novembro de 2008

PRECIOSAS ESTANTES

Eu quero furar a fila de livros da minha estante, invadir o mundo das prateleiras e sentir o calor daquele imprensado (todos lado a lado). Com a paciência dos imortais, quero ficar ali, até sentir o toque de um dedo que, não por acaso, me escolha e me leve ao universo das mesas, lugar reservado aos bons e capazes, merecedores de atenção.

Quero ter a chance de dizer algo aos olhos. Que esses olhos, depois de me conhecerem, não me esqueçam. As mãos podem até me abandonar sobre a mesa, mas que, a qualquer tempo, voltem a me procurar: eu estarei em qualquer estante. Eu estarei, feliz da morte, nas estantes da memória.

2 comentários:

CA Ribeiro Neto disse...

Será que livros gostam mesmo serem lidos??????

Será que eles não preferem ficar na morgação eterna e se sentem orgulhosos com a poeira que lhes cobre? heurehure

Enfim, isso é só uma brincadeira, o texto está ótimo. No começo, eu fiquei com uma impressão errada e legal do texto, ao mesmo tempo. Eu pensava que você estava falando do leitor mesmo, ao invés do livro, e que, na verdade, eles nos escolhem e não nós escolhemo-os!
heurheurhere

Thiago César disse...

"feliz da morte" eh otima!